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Jovens do Campus Osório dão aula de inclusão

Jean e Victor explicando o uso da reglete e da punção

 

Um jovem de 15 anos muda de cidade e de escola. Vai para a aula, na companhia de sua bengala. Ele perdeu a visão recentemente, há pouco mais de dois anos. Esta, que poderia ser mais uma história de bullying é, na verdade, de superação. Victor de Lucena Santos, primeiro estudante cego do IFRS - Campus Osório, fez da sua condição uma oportunidade de compartilhar seus conhecimentos. Com o colega Jean Gustavo Benetti da Rosa, que se tornou um grande amigo, desenvolveu o projeto "Braille Básico" para ensinar a utilizar a reglete e a punção - instrumentos usados para a escrita manual do alfabeto, números e pequenos textos em Braille.

O estudante veio de Três Forquilhas para Osório no início deste ano para ingressar no 1° ano do curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio. Encontrou no Campus Osório condições adequadas para sua necessidade: o piso tátil garante sua movimentação com segurança e os materiais de estudo adaptados são fornecidos pelo Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napne). E na assistente de alunos, Giane Santos, encontrou apoio para realizar o projeto de Ensino.

Seu primeiro aluno foi o amigo Jean, pela curiosidade de saber como era feita a leitura e escrita em Braille. "Nos primeiros dias de aula, nem notei que o Victor era cego. Mas quando falaram, fui conversar com ele, pois sempre me interessei pela inclusão, já que na minha antiga escola tive colegas com diferentes síndromes. Notei que o Victor tinha autonomia para andar sozinho se guiando pelo piso tátil, mas muitas pessoas ficavam no caminho, então precisávamos sensibilizar as pessoas", conta Jean.

Desse processo de ensino-aprendizagem, nasceu a ideia de proporcionar a estudantes e servidores do campus o contato com o sistema de escrita tátil utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão. "Ainda não sou um expert em Braille, mas estou me aprimorando. Tinha baixa visão, fiquei cego no final de 2015, e em meados do ano seguinte aprendi o Braille. O começo é difícil, tive que desenvolver o tato para iniciar a realfabetização", explica Victor.

O curso, pioneiro no IFRS por ser ministrado apenas por estudantes, teve oito semanas de duração, de 06 de agosto a 24 de setembro. Com aulas nas tardes de segunda-feira, somou 24h de carga-horária. Além da aprendizagem do Braille na sua forma básica, os participantes tiveram uma aula de Orientação e Mobilidade, utilizando a bengala, ora conduzindo, ora sendo conduzidos com vendas nos olhos.

Para Giane, coordenadora do projeto, os objetivos da ação foram alcançados: "Todos os concluintes realizaram com desenvoltura as atividades propostas e consideram que agregaram mais valor humano às suas vidas. A pouca idade e a inexperiência didática dos bolsistas não foram obstáculos para o bom desenvolvimento do curso, pelo contrário, a determinação e a coragem, foram o ponto alto de todo o processo".

E as aspirações dos jovens Victor e Jean não param por aí... Eles querem ofertar, no próximo ano, o curso na modalidade extensão, oportunizando a toda a comunidade uma troca de conhecimentos e experiências que vão muito além da escrita Braille, pois encontram no respeito às diversidades seu principal objetivo.

 

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Foto das mãos de Victor demonstrando o uso da reglete e da punção Jean acompanhando Victor pelo campus

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